quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Aula da História – Capítulo 02 (1968 e 1969): Os Primeiros Anos...


A Hard Day’s Night é o terceiro álbum dos Beatles – lançado na Inglaterra em 1964, acompanhando o lançamento de um filme homônimo. Dirigido por Richard Lester, o filme (em preto e branco) mostrava a história de uma banda de rock que era perseguida por fãs histéricos! A banda (claramente inspirada nos próprios “besouros de Liverpool”), além de fugir dos fãs, era obrigada a dar entrevistas e fazer shows na televisão... No Brasil, o álbum e o filme foram lançados sob o título de: “Os Reis do Iê, Iê, Iê” (expressão derivada do “yeah, yeah, yeah”, contida no refrão da música “She Loves You”).

Segundo a “lenda”, após um dia exaustivo de trabalho, Ringo Star desabafou:

- It’s been a hard Day... and I looked around and saw it was dark... So I said: Night!”

Ou, numa tradução livre (tão tosca quanto “Os Reis do Iê, Iê, Iê”):

- Foi um dia duro... e quando percebi já estava escuro... Então eu disse: Noite!

Esta frase serviu de inspiração para John Lennon e Paul McCartney escreverem a “baladinha” que retrata um cara apaixonado, que não se importa em trabalhar duro, de sol a sol, para enfim curtir a sua paixão...


Evidentemente, acho muito pouco provável que os garotos ingleses acompanhassem o “dia a dia” de Paul Brown, durante o início dos trabalhos em Cincinnati; mas certamente esta letra poderia ter sido inspirada no velho mestre!

Como vimos no capítulo anterior, Paul Brown era uma “lenda viva” da NFL – ele foi o primeiro treinador a gravar seus oponentes para estudá-los; a contratar uma equipe de assistentes profissionais em tempo integral; a testar o conhecimento de seus atletas em sala de aula; a usar o playbook; ele ajudou a desenvolver os novos capacetes (e outros equipamentos de proteção); exigiu de seus jogadores um cuidado extraordinário com a saúde (sob pena de serem “dedurados” pelos torcedores); e ainda quebrou a barreira do preconceito racial – valorizando o talento de jogadores negros e latinos (quando muitas equipes discriminavam-nos abertamente). Mas como ninguém é perfeito, seu jeito autoritário e “independente”, sem aceitar críticas ou sugestões (nem mesmo de seus empregadores e atletas); despertaram a ira de muitas pessoas – culminando em sua demissão do Cleveland Browns...

Em 1965 (dois anos após sua demissão), Paul Brown fora convencido a capitanear o projeto de uma nova equipe de futebol americano profissional; e graças ao aporte financeiro de ricos investidores; o apoio governamental do Estado de Ohio; a promessa de total autonomia em suas decisões esportivas; um acordo vantajoso de compartilhamento de uma moderna arena esportiva com uma equipe tradicional de Baseball (Cincinnati Reds); e um mercado potencial interessante na “Grande Cincinnati”; não foi difícil “amarrar as pontas” e “amadurecer a ideia”...


A American Football League (AFL) havia sido fundada em 1959, com o claro objetivo de “abocanhar” parte das receitas da National Football League (NFL); cujo sucesso estrondoso no período pós-Segunda Guerra Mundial era evidente – ultrapassando a popularidade até mesmo da antes “imbatível” Major League Baseball (MLB – até hoje uma das ligas profissionais mais bem sucedidas dos Estados Unidos).

Oito equipes (Houston Oilers, New York Titans, Buffalo Bills, Boston Patriots, Los Angeles Chargers, Dallas Texans, Oakland Raiders e Denver Broncos), divididas em duas divisões (Leste e Oeste), disputaram a primeira temporada da AFL. As campeãs de cada grupo se enfrentariam na final, valendo o título!


Em 1960, a final fora disputada entre Houston Oilers e Los Angeles Chargers – e os texanos venceram em casa por 24 x 16...


Em 1961, os Chargers (que haviam se mudado para San Diego) tiveram sua revanche – desta vez jogando em casa; mas os Oilers venceram seu segundo título da AFL (03 x 10, no dia 24.12.1961)!


Em 1962, Houston continuou soberano na Divisão Leste – mas desta vez enfrentou outra equipe texana (Dallas Texans) na final da AFL; e acabou derrotada, em casa, pelo placar de 17 x 20...


Em 1963, duas grandes mudanças: o atual campeão deixou o Texas e mudou-se para o Estado do Missouri, adotando o nome de Kansas City Chiefs; e o New York Titans deixou o Estádio Polo Ground (em Manhattan) e passou a mandar seus jogos no Queens (no Shea Stadium – próximo ao Aeroporto de LaGuardia). Por isso, assumiu o nome de New York Jets (e seu uniforme passou de azul marinho para verde e branco).

Mas a disputa pelo título se deu entre o Boston Patriots e o San Diego Chargers – com vitória da equipe californiana, que jogando em casa, venceu por expressivos 51 x 10!


Em 1964, os Chargers tiveram a chance de brigar pelo bi-campeonato – mas enfrentaram fora de casa o Buffalo Bills e foram derrotados por 20 x 07...


Em 1965, os Bills conquistaram seu bi-campeonato, novamente sobre os Chargers, mas desta vez jogando em San Diego! E a vitória se deu de modo incontestável: 00 x 23, no dia 26.12.1965!

Eis que chegamos à temporada de 1966...

Desde 1920, a NFL enfrentou (e derrotou) inúmeras ligas de futebol profissional; mostrando-se a mais rentável, equilibrada e interessante. Um exemplo foi a All-America Football Conference (AAFC), criada em 1946 e dominada pelo Cleveland Browns (considerado uma das maiores dinastias de todos os tempos) até sua temporada final (disputada em 1949). Apesar do “fracasso”, a AAFC originou três equipes que até hoje disputam a NFL: Browns, Colts e 49ers...

Porém, o sucesso das transmissões pela TV das partidas da AFL, ano após ano, vinha derrubando o interesse do público norte-americano por sua principal liga (NFL); bem como a disputa pelos melhores calouros vindos do futebol universitário (atraídos por melhores salários e maior visibilidade na mídia), também “empobreciam” o espetáculo como um todo!

Tex Schramm, o “homem forte” do Dallas Cowboys, secretamente contactou o proprietário do Kansas City Chiefs (Lamar Hunt), e ambos iniciaram as tratativas para unificar as duas ligas. Estas conversas não passaram pelos comissários (seja da NFL ou da AFL); até que o acordo estivesse praticamente “sacramentado”!


E em 08 de Junho de 1966, as partes envolvidas convocaram uma coletiva de imprensa em Nova York e anunciaram os termos do acordo:

As duas ligas se uniriam e se expandiriam a partir de 1970, prevendo 26 equipes (e duas outras numa eventual expansão futura), divididas em duas Conferências. Os campeões de cada Conferência se enfrentariam numa grande final, a ser realizada em campo neutro, no início do ano seguinte...

Além disso, nenhuma franquia existente poderia abandonar sua “zona metropolitana” sem a aprovação conjunta das duas ligas (havendo uma “compensação financeira” para equipes já estabelecidas a mais tempo – como Giants e Raiders, que passariam a dividir seu território com Jets e 49ers, respectivamente).

Por fim, as duas ligas realizariam um único Draft – encerrando a disputa pelos calouros mais talentosos; cuja ordem seria estabelecida conforme os resultados obtidos na temporada anterior (independentemente de qual liga pertencessem).

Nestes esforços de “integração” entre a AFL e a NFL, foram previstos amistosos de pré-temporada entre as equipes de cada liga; bem como o confronto entre os campeões, ao final da pós-temporada, em campo neutro – antecipando o sistema que seria adotado a partir de 1970. Eis que nascia o SUPER BOWL!

Cabe aqui uma observação: até 1965, a NFL era composta por 14 equipes, divididas em 02 Conferências: Leste (Dallas Cowboys, Cleveland Browns, Philadelphia Eagles, St. Louis Cardinals, Washington Redskins, Pittsburgh Steelers e New York Giants) e Oeste (Green Bay Packers, Baltimore Colts, Los Angeles Rams, San Francisco 49ers, Chicago Bears, Minnesota Vikings e Detroit Lions). E mesmo se somássemos as oito equipes da AFL, teríamos apenas 22 times...

Na prática, o acordo previa que seriam criadas (pelo menos) quatro novas equipes antes da unificação das ligas...

Mas infelizmente duas delas já estavam “prontas” para estrear em 1966: Atlanta Falcons e Miami Dolphins...


Como ambas estão localizadas no sudeste dos EUA, obviamente haveria um enorme desequilíbrio entre os grupos – pois tanto a NFL quanto a AFL dividiam suas equipes por critérios geográficos (Leste e Oeste); e as duas novas equipes só poderiam ser alocadas dentro de grupos do “Leste”...

A solução foi dividi-las: os Falcons passariam a integrar a Conferência Leste da NFL; e os Dolphins entrariam na Divisão Leste da AFL...


Em 1966, o Kansas City Chiefs viajou até Buffalo, para enfrentar os Bills na final da AFL; e venceu o jogo por 31 x 07! Com isso, a equipe alvi-rubra garantiu sua vaga no primeiro Super Bowl da história – disputado no Los Angeles Memorial Coliseum, em 15 de Janeiro de 1967. Mas o Green Bay Packers, campeão da NFL, foi soberano e derrotou os Chiefs com facilidade: 35 x 10!


Enquanto isso, em Cincinnati, Paul Brown iniciava uma “corrida contra o relógio” para aproveitar esta “expansão”. Era preciso construir toda a infra-estrutura de treinamentos, estádio, registros em órgãos públicos, contratação de comissão técnica e jogadores, equipamentos e acessórios, aprovação da liga etc.

Tudo muito caro... e principalmente demorado!


E apesar do acordo firmado com o Cincinnati Reds, visando o compartilhamento do futuro Riverfront Stadium; era certo que o mesmo não ficaria pronto antes de 1970 – e assim como o projeto dos Bengals; muitos outros investidores também vislumbraram uma enorme oportunidade com a criação de uma equipe profissional em outros mercados...

Em 1967, por exemplo, nascia o New Orleans Saints...


Os Saints entraram na Conferência Oeste da NFL – que agora contava com 16 equipes (divididas em dois grupos de 08 times cada); voltando a ser equilibrada...

Restava apenas uma vaga “garantida” antes do início da temporada de 1970...

Uma vaga na Divisão Oeste da AFL...

Os fundadores dos Bengals sabiam que esta era uma “oportunidade de ouro”; e se deixassem que outra sede recebesse uma equipe agora, poderia ser o fim do projeto... já que as outras duas vagas futuras poderiam demorar anos (quiçá décadas)! E também sabiam das pretensões de Seattle, Memphis e Portland – fortes candidatas a aproveitar esta expansão...

Eis que no dia 24 de Maio de 1967, Pete Rozelle (Comissário encarregado da gestão nesta fase de transição que antecedeu à unificação das duas ligas) convocou a imprensa e declarou:

- Cincinnati, a city of 1,3 milion population, that has had a Professional baseball team since 1869, gained a pro football team. The American Football League granted a franchise its 10th to Cincinnati, with the approval of the National Football League; and begin play in 1968...


Traduzindo: “Cincinnati, cidade com 1,3 milhão de habitantes, que detém uma equipe profissional de baseball desde 1869, receberá uma equipe de futebol americano profissional. A American Football League concede sua 10ª franquia à Cincinnati, com a anuência da National Football League; e a equipe iniciará suas atividades em 1968...”


Apesar da festa... havia muito a ser feito!

E muito pouco tempo pela frente!

Paul Brown, acompanhado de seu filho Mike e de outros membros, trabalharam arduamente para conseguir celebrar um acordo com a Universidade de Cincinnati (única na cidade a dispor de um estádio em condições de receber partidas de futebol americano profissional). Felizmente, os Bearcats concordaram em emprestar o Nippert Stadium (pelo menos até que o Riverfront estivesse concluído).


Em seguida, era preciso montar um time...

Em dezembro de 1967, os Bengals contrataram seu primeiro jogador:


John Stofa nasceu em 26 de Junho de 1942, em Johnstown, Pennsylvania. O Quarterback fora draftado em 1966, pelo recém-criado Miami Dolphins; e participou de oito jogos como profissional (sendo apenas dois deles como titular na equipe da Flórida). Seus números (31 passes completados em 59 tentativas, conquistando 476 jardas aéreas e 04 Touchdown’s) podem parecer modestos; mas não custa lembrar que o futebol americano jogado nos anos de 1960 era muito diferente daquele que vemos hoje em dia...

Enquanto as batalhas travadas nos escritórios prosseguiam, em campo, o Houston Oilers voltou a vencer a Divisão Leste da AFL; e na final, encararia o Oakland Raiders, fora de casa, valendo o título da liga e a vaga no segundo Super Bowl! Mas a equipe californiana não deu chances aos texanos: venceram por 40 x 07!

Em 14 de Janeiro de 1968, Green Bay Packers conquistou seu segundo título no Super Bowl II, varrendo os Raiders por 33 x 14, no Estádio Orange Bowl, em Miami...


E já que entramos em 1968, uma curiosidade: através de uma “permissão especial” da AFL, os Bengals tiveram seu maior Draft da história – escolhendo 41 atletas universitários nas 17 rodadas usuais (diferentemente do que ocorre hoje em dia: apenas sete rodadas de Draft). O objetivo, claro, era adquirir atletas suficientes como “moeda de troca” para a formação do “primeiro elenco”; mas alguns destes novatos se destacariam – inclusive sendo convocados para o Pro Bowl de 1969!

Paul Brown, recém admitido no Hall da Fama da NFL (graças ao seu incrível retrospecto com os Browns: 115 vitórias, 49 derrotas e 06 empates; com 07 títulos de Conferência e 03 títulos da NFL); vestiu seu sobretudo escuro, seu chapéu e mais uma vez foi a campo – exigindo total empenho dos garotos durante os treinamentos...


Mas apesar do ritmo intenso imposto pelo técnico “linha dura”, a equipe de Cincinnati só seria testada quando a pré-temporada começasse...

A ansiedade era enorme...

Não apenas entre a comissão técnica e os atletas, mas também entre os jornalistas esportivos e seus novos adversários (que gostariam de saber se Paul Brown faria “outro milagre”); e principalmente entre os moradores de Cincinnati e região!

Finalmente, em 03 de Agosto de 1968, a espera acabou!


Jogando em casa, diante de 21.682 privilegiados torcedores, Cincinnati encarou o poderoso Kansas City Chiefs (bi-campeão da AFL, que terminou a temporada de 1967 com 09 vitórias e 05 derrotas); e mostrou sua garra – encarando de igual para igual os experientes adversários! Mas infelizmente os Bengals foram derrotados por 14 x 38...

A primeira partida disputada fora de casa também não terminou bem (derrota por 15 x 13 para o Denver Broncos, em 10.08.1968); mas a equipe mostrou-se ainda mais aguerrida e, mesmo enfrentando a altitude e a torcida fanática no Mile High Stadium; os Bengals perderam por uma diferença de apenas uma posse de bola!


Na segunda partida em casa, disputada no dia 17.08.1968, Cincinnati foi ainda melhor – mostrando uma defesa sólida, capaz de deter o poderoso ataque do Buffalo Bills (bi-campeões da AFL); e cedendo apenas 10 pontos, na vitória dos visitantes por 10 x 06...

Ok... estamos falando de pré-temporada...

Ok... estamos falando de uma equipe recém-criada...

Mas impossível deter o desânimo que começou a se abater entre os torcedores...

Felizmente, o experiente Paul Brown não deixou que o pessimismo contaminasse seu grupo de jogadores... Ele sabia que a primeira vitória estava próxima! Ele só não sabia o quão significativa esta vitória seria no futuro...


No dia 25 de Agosto de 1968, Cincinnati viajou até Pittsburgh (equipe da NFL), e mesmo jogando fora de casa, atropelou os Steelers por 19 x 03! Uma vitória maiúscula e incontestável, para lavar a alma da torcida!

E acompanhando esta tendência de crescimento, na última partida da pré-temporada, disputada em 30.08.1968; os Bengals foram à Nova York e venceram os Jets por 09 x 13 – surpreendendo o alvi-verde (que terminou a temporada de 1967 com 08 vitórias, 05 derrotas e 01 empate; e por muito pouco não fora finalista da Divisão Leste da AFL)!

Apesar da goleada sofrida na estréia e das três derrotas nas primeiras três partidas; era nítido que os garotos estavam evoluindo a cada jogo – mostrando méritos defensivos e ofensivos; bem como uma disciplina tática impressionante! Como todos os novatos recém chegados à liga profissional, faltava-lhes experiência... mas isto só viria com o tempo! E as duas vitórias nas últimas duas partidas da pré-temporada serviram para reacender as expectativas da torcida (e por que não dizer do próprio grupo de jogadores!).

Mas nossa estréia “oficial” não foi “exatamente” como imaginávamos...


Em 06 de Setembro de 1968, jogando na Califórnia, os Bengals perderam para San Diego por 29 x 13... Esta derrota pode ser considerada particularmente ruim, pois os Chargers eram nossos rivais de divisão (e toda derrota sofrida para adversários diretos, num campeonato curto como a AFL, deve ser lamentada)...

Mas no dia 15 de Setembro de 1968, em jogo válido pela segunda rodada, os Bengals entraram em campo pela primeira vez em Cincinnati; e atropelaram o Denver Broncos – vencendo-os pelo placar de 24 x 10! E a festa não parou por aí: na semana seguinte (22.09.1968), também no Nippert Stadium, batemos o Buffalo Bills por 34 x 23!


A euforia tomou conta de Cincinnati! Paul Brown estava prestes a repetir o milagre de Massillon! O experiente treinador era aclamado pelas ruas! Dois jogos em casa e duas vitórias! Invencibilidade! Apoio total e irrestrito dos torcedores!

Mas...

E sempre existe um “mas”...

Os Bengals perderam as próximas SETE partidas consecutivas...

4ª Rodada – 29.09.1968 – Bengals 10 x 31 Chargers;

5ª Rodada – 06.10.1968 – Broncos 10 x 07 Bengals;

6ª Rodada – 13.10.1968 – Chiefs 13 x 03 Bengals;

7ª Rodada – 20.10.1968 – Bengals 22 x 24 Dolphins;

8ª Rodada – 27.10.1968 – Raiders 31 x 10 Bengals;

9ª Rodada – 03.11.1968 – Bengals 17 x 27 Oilers;

10ª Rodada – 10.11.1968 – Bengals 09 x 16 Chiefs.

Com a campanha arruinada e já sem chances matemáticas de chegar aos playoffs, os Bengals jogaram sem pressão em Miami – e conseguiram derrotar os Dolphins, no dia 17.11.1968, pelo placar de 38 x 21!


Mas nos últimos três jogos da temporada... outras três derrotas:

12ª Rodada – 24.11.1968 – Bengals 00 x 34 Raiders;

13ª Rodada – 01.12.1968 – Patriots 33 x 14 Bengals;

14ª Rodada – 08.12.1968 – Jets 27 x 14 Bengals.

Mesmo com a péssima campanha (03 vitórias e 11 derrotas); e a última colocação na Divisão Oeste da AFL; três atletas novatos foram chamados para o Pro Bowl – o Center Bob Johnson; o Running Back Paul Robinson e o Tight End Bob Trumpy!


Bob Johnson estudou na Universidade do Tennessee e foi a primeira escolha dos Bengals no Draft de 1968 (sendo a segunda escolha “geral”). Pode soar estranha a seleção de um “Center” numa posição tão alta no Draft; mas Paul Brown sabia que a proteção ao Quarterback seria essencial – ainda mais quando seu “homem de confiança” ainda não tinha a experiência necessária na liga profissional. E Johnson desempenhou bem o seu papel...


Já Paul Robinson, vindo da Universidade do Arizona, sequer fora a primeira escolha para a posição de Running Back... A terceira escolha de Cincinnati (2ª Rodada – 55ª “geral”) foi Tom Smiley, RB da Universidade de Lamar! E Smiley foi “relativamente bem” (63 corridas, garantindo 146 jardas e 01 TD); mas Robinson (5ª escolha dos Bengals, na 3ª rodada – 82ª “geral”) assumiu a titularidade da equipe e estabeleceu um “padrão elevado” para o jogo corrido: 238 corridas para conquistar 1.023 jardas, com 08 TD’s! Com estes números expressivos, ganhou “com folga” o título de Rookie of the Year!


O último calouro convocado para o “jogo das estrelas” foi Bob Trumpy! O Tight End, recém chegado da Universidade de Utah, somente fora draftado na 12ª Rodada (escolha nº 301 no “geral”); e mesmo assim foi nosso melhor recebedor – com 37 recepções para 639 jardas e 03 TD’s!


Mas o jogador que mais pontuou neste primeiro ano foi o Kicker/Punter Dale Livingston: 59 pontos, sendo 13 Field Goal’s (em 26 tentativas) e 20 Conversões de Pontos Extras! Pelo visto... o ataque não era “brilhante”, né?

Stofa foi o QB titular na maioria dos jogos – e acertou 85 de 177 passes tentados, garantindo 896 jardas (aproveitamento de 48%) e 05 TD’s. Porém, sofreu 05 Interceptações e seu Passer Rating foi de apenas 60,8. Apesar de ter sido o melhor na posição, enfrentou grande concorrência de Dewey Warren (47 passes completados em 80 tentativas, conquistando 506 jardas; mas apenas 01 TD e 04 INT; com rating de 60,7) e Sam Wyche...

O New York Jets venceu com tranqüilidade a Divisão Leste (11 vitórias e 03 derrotas); e recebeu o campeão da Divisão Oeste (Oakland Raiders – 12 vitórias e 02 derrotas) em seu estádio no dia 29.12.1968. E para delírio de sua apaixonada torcida, conquistou seu primeiro título da AFL ao vencer por 27 x 23 – carimbando seu passaporte para o Super Bowl III (onde enfrentaria o Baltimore Colts)!

Em 12 de Janeiro de 1969, os Jets (comandados por Joe Namath) conquistaram o primeiro título de Super Bowl da AFL – derrotando os Colts por 16 x 07...


A temporada de 1969 começou com grande expectativa em Cincinnati!


Greg Cook, Quarterback da Universidade de Cincinnati, foi a primeira escolha no Draft (1ª Rodada – 5ª escolha “geral”). A estrela dos Bearcats conquistou expressivas 554 jardas em uma única partida (vitória de virada sobre os Redhawks pelo placar de 23 x 21). Após a partida, Paul Brown já não tinha dúvidas: “Aquele Quarterback... Ele será a nossa primeira escolha!” John Stofa, sem espaço no elenco, principalmente após sua primeira temporada irregular, teve seu contrato rescindido – e acabou voltando para os Dolphins...


Outra boa escolha dos Bengals foi o Linebacker Bill Bergey (2ª Rodada – 31ª escolha “geral”), vindo da Universidade de Arkansas State. Apesar das estatísticas de jogadores de defesa não serem confiáveis antes da temporada de 1976; sabemos que Bergey fez um excelente trabalho porque ganhou o prêmio de Jogador Defensivo Novato do Ano!

Isto sem falar na retenção de talentos (como Paul Robinson e Bob Trumpy – ambos convocados para o segundo Pro Bowl de suas carreiras) e no trabalho intenso imposto por Paul Brown – mesmo durante a inter temporada...

Tudo conspirava para um ano ainda melhor!

E o mês de setembro mostrou-se maravilhoso, fomentando ainda mais as expectativas da torcida de Cincinnati!

1ª Rodada – 14.09.1969 – Bengals 27 x 21 Dolphins;

2ª Rodada – 21.09.1969 – Bengals 34 x 20 Chargers;

3ª Rodada – 28.09.1969 – Bengals 24 x 19 Chiefs!


Porém, nesta partida contra Kansas City, Greg Cook (até então um dos destaques da linha ofensiva dos Bengals) sofreu uma grave lesão em seu ombro direito (após uma violenta pancada do Linebacker Jim Lynch); que o tirou da partida e o manteve afastado durante as próximas três rodadas...

E o rendimento da equipe desabou...

4ª Rodada – 04.10.1969 – Chargers 21 x 14 Bengals;

5ª Rodada – 12.10.1969 – Bengals 07 x 21 Jets;

6ª Rodada – 19.10.1969 – Bengals 23 x 30 Broncos...

Desesperados com a possível ruína da temporada, os médicos trataram de recuperar o QB novato no menor tempo possível – e não se atentaram para a gravidade da lesão! Alguns anos depois, Cook revelou seu drama:

- Eu tomei injeções de cortisona e joguei com dor, mas meu ombro nunca mais foi o mesmo... E a cada pancada, ele se deteriorava ainda mais! Mas eu era jovem, sabia do meu potencial e não queria perder esta oportunidade de jogar na minha casa...


Greg voltou na 7ª Rodada – contra o mesmo Kansas City Chiefs (desta vez fora de casa, no dia 26.10.1969); mas não conseguiu evitar a 4ª derrota consecutiva de Cincinnati – perdemos pelo placar de 42 x 22...

O próximo compromisso dos Bengals seria no Nippert Stadium, contra o poderoso Oakland Raiders, em 02 de Novembro de 1969. Adversário perigoso, até então invicto, e para piorar nosso rival de divisão! Mas contrariando os pessimistas, Cincinnati atropelou os favoritos californianos pelo placar de 31 x 17!


Estávamos com uma campanha de 04 vitórias e 04 derrotas...

Tínhamos boas chances de chegar à pós-temporada!

Mas ninguém imaginaria o que aconteceria na próxima rodada...

No dia 09.11.1969, jogando no imponente estádio Astrodome, enfrentamos os Oilers. Partida equilibrada, com muita alternância no placar, mas faltando 22 segundos para terminar o jogo, Houston vencia por 31 x 28...


Eis que entra em campo o Kicker Horst Muhlmann (alemão nascido em Dortmund, draftado pelos Chiefs em 1969, mas contratado pelos Bengals antes do início da temporada, para ocupar o lugar do impreciso Dale Livingston – que passaria a ser apenas o Punter); para um Field Goal curto – apenas 18 jardas...

Muhlmann preparou... correu... chutou...

E marcou os três pontos!

Como não havia “prorrogação” durante a temporada regular, esta foi a primeira partida da história dos Bengals que terminaria empatada...

Horst Muhlmann (assim como aconteceu com Dale Livingston na temporada de 1968) foi o atleta que mais pontuou para os Bengals nesta temporada de 1969: 80 pontos, sendo 16 FG’s (em 24 tentativas) e 32 Conversões de Pontos Extras (em 33 chutes)...

Infelizmente, o final da temporada foi um verdadeiro “show de horrores” – com Greg Cook claramente se “arrastando” em campo; um ataque pouco inspirado (incapaz de anotar 20 pontos num jogo); e uma defesa cedendo muitas jardas e pontos aos rivais...

10ª Rodada – 16.11.1969 – Bengals 14 x 25 Patriots;

11ª Rodada – 23.11.1969 – Jets 40 x 07 Bengals;

12ª Rodada – 30.11.1969 – Bills 16 x 13 Bengals;

13ª Rodada – 07.12.1969 – Raiders 37 x 17 Bengals;

14ª Rodada – 14.12.1969 – Broncos 27 x 16 Bengals...

E a temporada 1969 terminou para Cincinnati, com um retrospecto de 04 vitórias, 09 derrotas e 01 empate – na última colocação da Divisão Oeste da AFL...

Mesmo jogando “no sacrifício” durante boa parte da temporada, Greg Cook fez um excelente trabalho: acertou 106 dos 197 passes tentados, conquistando 1.854 jardas (aproveitamento de 53,8%) e 15 TD’s. Seu Rating de 88,3 só não foi melhor em virtude das 11 Interceptações sofridas... E mesmo quando precisou ser substituído, seu reserva Sam Wyche deu conta do recado: completou 54 dos 108 passes tentados, garantindo 838 jardas (aproveitamento de 50%), com 07 TD’s e apenas 04 INT’s – Rating de 82,3...


No jogo terrestre, Paul Robinson foi chamado para seu segundo Pro Bowl – mas seus números foram bem inferiores àqueles de sua temporada de estréia: precisou de 160 tentativas para correr 489 jardas e anotar 04 TD’s. O melhor corredor dos Bengals na temporada foi o segundo-anista Jess Phillips (118 corridas para 578 jardas e 03 TD’s)...


Também tivemos novidades no jogo aéreo – Eric Crabtree conquistou 855 jardas em 40 tentativas e anotou 07 TD’s; superando por muito pouco o também convocado para o seu segundo Pro Bowl Bob Trumpy (37 recepções para 835 jardas e 09 TD’s).

A última temporada da American Football League foi decidida de forma diferente do que vinha ocorrendo nos últimos anos:

Desta vez, as duas melhores equipes de cada Divisão se classificaram para a rodada de playoffs – e o 1º colocado da Divisão Leste encararia o 2º colocado da Divisão Oeste; enquanto o 1º colocado do Oeste enfrentaria o 2º do Leste; e apenas os vencedores passariam para a final da AFL.


Em 20.12.1969, jogando no Shea Stadium, o New York Jets (1º colocado da Divisão Leste) enfrentou o Kansas City Chiefs (2º colocado da Divisão Oeste). E saiu de campo derrotado – sendo eliminado pelo placar de 06 x 13...

Já na outra semi-final, disputada no dia 21.12.1969, na casa do Oakland Raiders (campeão da Divisão Oeste); nenhuma surpresa: vitória esmagadora dos Raiders (56 x 07) sobre o Houston Oilers (segundo colocado na Divisão Leste).

A última final da AFL, disputada em 04 de Janeiro de 1970, no Oakland-Alameda County Coliseum, para surpresa de boa parte dos espectadores, terminou com vitória dos Chiefs por 07 x 17!

E Kansas não parou de surpreender: no Super Bowl IV, disputado no Tulane Stadium (em Nova Orleans), em 11 de Janeiro de 1970; os Chiefs atropelaram o Minnesota Vikings pelo surpreendente placar de 23 x 07!


Este foi o último ato da bem sucedida liga esportiva, que ousou desafiar a “onipotência” da NFL e, de certo modo, conquistou seus objetivos!

E o mais importante: serviu de “porta de entrada” e “trampolim” para 10 grandes equipes do futebol americano moderno...

Entre elas nosso querido Bengals...


Como vimos, os primeiros dois anos de Cincinnati não foram “excelentes” (07 vitórias, 20 derrotas e 01 empate); mas diversos fatores explicam este começo “complicado”: a inexperiência de nossos atletas (a maioria deles em sua segunda temporada); o nível de nossos oponentes; as enormes distâncias percorridas pela equipe (pois Cincinnati estava muito mais próxima da Costa Leste do que seus rivais) etc.

Sem dúvida tivemos um “Hard Day’s Night”...



Mas a década seguinte seria muito melhor!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Aula de História - Capítulo 01: O Homem Que Inventou o Futebol Moderno!


Olá, meus amigos!

Com o fim da temporada 2013 (após a surpreendente goleada do Seattle Seahawks sobre o Denver Broncos, no Metlife Stadium, pelo placar de 43 a 08, no Super Bowl XLVIII); teremos algum tempo de “inatividade” em Cincinnati...

Mas não pensem que este blog entrará em férias!

Muito pelo contrário!

Vou aproveitar este tempo sem muitas novidades sobre a equipe atual e recapitular TODA a história dos Bengals – começando pela biografia de nosso fundador; passando pelo começo complicado no final dos anos de 1960 (ainda jogando pela AFL); nossa entrada na NFL e a conquista do respeito dos rivais nos anos de 1970; falaremos também dos “anos dourados” de 1980; da “década perdida” de 1990; do renascimento midiático da equipe nos anos 2000... e chegaremos à promissora “Era Dalton-Green”!

Neste primeiro capítulo, falaremos do homem que inventou o futebol americano moderno; criando verdadeiras dinastias por onde passou (seja no High School, no Futebol Universitário ou no Futebol Profissional). Este homem fundou nosso amado Bengals (cujo estádio ainda hoje leva seu nome) e também nosso maior rival (que por ironia do destino, também carrega seu sobrenome)! Ele morreu aos 82 anos, após uma vida inteira dedicada ao esporte; mas seu trabalho estará para sempre imortalizado no Hall da Fama da NFL...

Quem foi este cara?


Paul Eugene Brown nasceu em 07 de Setembro de 1908, na pequena e pacata cidade de Norwalk, Ohio (cerca de 60 milhas à oeste de Cleveland ou 200 milhas à nordeste de Cincinnati). Aos nove anos de idade, sua família mudou-se para Massillon, OH (cidade situada a aproximadamente 60 milhas ao sul de Cleveland – vizinha à Canton, conhecida por abrigar o Hall da Fama da NFL).


Quando as primeiras equipes profissionais de futebol americano foram fundadas (no início da década de 1920), o foco das atenções do público permanecia centrado na rivalidade entre as equipes das “Universidades” (College’s) e do “Ensino Médio” (High School’s). E foi bem nesta época (mais precisamente em 1922) que Paul começou a estudar na Massillon Washington High School – cuja equipe era conhecida como “Tigers”!


Coincidência? Eu acho que não...

Curiosamente, o primeiro esporte praticado no colégio pelo jovem Brown não foi o futebol americano – e sim o atletismo! Por ser menor e mais leve que os outros garotos, seus professores indicaram o Salto com Vara! Mas o treinador Dave Stewart acreditou que o garotinho “mirrado” poderia jogar futebol – e em 1924, Paul assumiu o posto de Quarterback...

Stewart não poderia ter feito uma escolha melhor! Sob o comando de Paul, os Tigers tiveram um retrospecto de 15 vitórias e apenas 03 derrotas!


Em 1925, Paul Brown entrou na Universidade de Ohio State, com a esperança de jogar pelos Buckeyes! Porém, a concorrência era enorme – e o garoto de Norwalk nunca chegou a ser aprovado nas “peneiras internas” da faculdade...


O jeito foi se transferir para a Universidade de Miami, em Oxford, OH; onde voltou a ser QB! E sob o comando de Chester Pittser, em 1928, Brown foi eleito para a seleção dos melhores jogadores do Estado de Ohio, segundo a Associated Press! Em duas temporadas comandando o ataque de Miami (favor não confundir com a bela cidade litorânea na Flórida), Paul conquistou 14 vitórias e apenas 03 derrotas!

Em 1929, Paul casou-se com Katie Kester (sua namorada desde os tempos na Massillon Washington).

Seu sonho era continuar jogando futebol – mas como seus dias de universitário chegaram ao fim e o futebol profissional nos EUA ainda “engatinhava”; o jeito foi trabalhar como técnico na Severn School (escola preparatória de ingresso na Academia Naval, situada em Severna Park, Estado de Maryland).


Foram dois anos à frente da equipe – conquistando 12 vitórias, 02 derrotas e 01 empate! Em 1930, seu primeiro ano como treinador, Paul terminou a temporada invicto e, de quebra, conquistou o título de campeão estadual!

Em 1932, Brown voltou para Massillon – com o objetivo de resgatar as glórias dos “Tigers”, após seis temporadas ruins (ou seja: desde a partida do treinador Stewart)! Para se ter uma ideia, em 1931, a MWHS conseguiu apenas 02 vitórias e 10 derrotas...


Paul Brown, apesar da pouca idade, já mostrava suas principais características: disciplinador (por vezes autoritário) e muito exigente com seus atletas! A dedicação ao jogo era essencial – e tornou-se famosa a dispensa de seu Assistente (tudo porque ele se atrasou para o treino porque precisou trabalhar até tarde na fazenda onde vivia)... E mais: nenhum jogador dos Tigers permanecia sentado no banco de reservas durante a partida! Paul exigia que eles permanecessem treinando (e se aquecendo) o tempo todo...

Seu esquema de jogo misturava as estratégias dos treinadores Jimmy DeHart (da Universidade de Duke) e Noble Kizer (Purdue), privilegiando a velocidade sobre a força bruta!

E os resultados em campo não demoraram a aparecer...

Logo em sua primeira temporada, a equipe conquistou 05 vitórias, 04 derrotas e 01 empate. Sem dúvida, houve um avanço (quando comparamos com a campanha de 1931), mas Paul estava longe de estar satisfeito...

Em 1933, os Tigers conquistaram 08 vitórias e apenas 02 derrotas – mas foram derrotados por seu maior rival (Canton McKinley High School).

Curiosamente, o mascote da escola de Canton era um Bulldog...


Coincidência? Eu acho que não...

Em 1934, a MWHS venceu todos os seus jogos... mas novamente perdeu para Canton por 21 x 06 (na última partida da temporada)! Com isso, a pressão da torcida de Massillon aumentou – assim como cresceu o nível de exigência de Paul Brown sobre seus discípulos, para enfim “quebrar a freguesia”! E em 1935, os Tigers não apenas terminaram a temporada invictos, como finalmente derrotaram os Bulldogs!


Nas cinco temporadas seguintes, Paul Brown perdeu um único jogo: derrota em New Castle, Pennsylvania (Coincidência? Eu acho que não...), pelo placar de 07 x 00 – quando TODOS os seus jogadores estavam gripados...

O treinador Brown manteve sua postura rígida e autoritária, exigindo muito dos garotos durante os treinamentos e jogos. Mas seu sucesso também pode ser explicado por um inovador sistema de recrutamento de novos talentos (atraídos pelo sucesso dos Tigers), independentemente da religião ou raça (numa época em que muitos garotos negros eram proibidos de jogar em determinadas escolas da região norte dos EUA).

Em 1936, Paul Brown convenceu os dirigentes da escola que o sucesso dos Tigers exigia a ampliação das arquibancadas do estádio (pois muitos fãs não conseguiam assistir aos jogos). Com isso, iniciaram as reformas que triplicariam os assentos (passando de 7.000 para 21.000 lugares) – sendo concluída em 1939.


Hoje, este estádio também se chama “Paul Brown Stadium”!

O auge da carreira de Brown em Massillon ocorreu na temporada de 1940 – após a vitória sobre a Toledo’s Waite High School! Ambas terminaram a temporada de 1939 invictas (e por isso reivindicaram o título de campeãs estaduais). Mas o tira-teima só ocorreu em 1940 – e a equipe de Brown venceu por 28 x 00! O esquadrão dos Tigers de 1940 ainda hoje é lembrado como um dos melhores times de futebol americano no High School de todos os tempos!


Durante seus nove anos à frente da MWHS, Paul Brown inventou o “Playbook” (uma espécie de “cartilha”, listando as jogadas treinadas ao longo da semana) e testou inúmeras novidades táticas (muitas delas em uso até hoje na NFL!). Seus números finais foram de 80 vitórias (35 delas consecutivas), 08 derrotas e 02 empates. Conquistou o título de campeão estadual por seis vezes e o título nacional quatro vezes. E o mais importante: os Tigers derrotaram os Bulldogs seis vezes consecutivas!

Coincidência? Eu acho que não...

A imprensa esportiva o apelidou de “Milagreiro de Massillon” (Miracle Man of Massillon), e seu sucesso foi tamanho que o destino levou-o de volta à Ohio State (a mesma universidade que desprezou seu talento como atleta); mas desta vez como treinador!


Pela primeira vez, Paul Brown tornou-se treinador de uma equipe do Futebol Universitário... E seu estilo de jogo, criado para os garotos do Ensino Médio, também funcionou muito bem na Universidade!

Logo em sua primeira temporada (1941), os Buckeyes venceram quase todos os jogos da temporada regular (a única derrota veio fora de casa, contra a Universidade de Northwestern – e sua estrela ascendente Otto Graham). Na partida final, contra a Universidade de Michigan (franca-favorita), os garotos de Brown conseguiram empatar o jogo em 20 x 20 – e a equipe de Ohio terminou empatada na segunda posição da Conferência Oeste (equivalente à atual “Big Ten" da NCAA)!


Graças ao ataque japonês à base de Pearl Harbor em 07 de Dezembro de 1941, os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial – e a temporada de 1942 esteve ameaçada... mas a maioria das equipes universitárias conseguiu conciliar seu “programa de futebol” com as “exigências militares”. E mesmo perdendo muitos talentos, os Buckeyes venceram a Conferência Oeste pela primeira vez em sua história!

Porém, com o agravamento da guerra na Europa e no Pacífico, a temporada de 1943 foi particularmente desastrosa para Paul Brown e sua Ohio State... Contando apenas com garotos sub-17 (ainda em treinamento para o combate), os Buckeyes terminaram a temporada com 03 vitórias e 06 derrotas...


Em 1944, Brown fora convocado pelo Exército Norte-Americano para trabalhar como treinador da equipe na base militar de Great Lakes (nos arredores de Chicago). Apesar de seu pouco tempo no comando dos Bluejackets, Paul conseguiu implementar seu estilo de jogo – e descobriu jogadores talentosos como o Defensive End George Young e o Halfback Ara Parseghian. Mesmo com as derrotas para Notre Dame e para a sua ex-equipe (Ohio St.), Paul Brown terminou a temporada de 1944 com 09 vitórias, 02 derrotas e 01 empate...


Em Setembro de 1944, Arch Ward (influente Editor-Chefe de Esportes do jornal Chicago Tribune), propôs a criação de uma nova liga de futebol americano profissional – chamada de All-America Football Conference (AAFC), para competir com a National Football League (NFL) tão logo a Segunda Guerra Mundial se encerrasse... Ward trabalhou para articular a criação desta liga – e conseguiu investidores interessados em bancar a criação de pelo menos oito equipes, espalhados por cidades como Los Angeles, Nova York, San Francisco... e Cleveland!


Arthur B. “Mickey” McBride, milionário que fez sua fortuna com táxis e jornais, adquiriu a franquia de Cleveland – apostando que o esporte profissional renderia ótimos frutos no futuro... McBride ofereceu um salário anual de US$ 17.500,00 (pode parecer pouco para os padrões atuais, mas que hoje equivaleria a cerca de US$ 226.918,00) – mais do que qualquer treinador já havia recebido (seja no esporte profissional ou no universitário)!

Em 08 de Fevereiro de 1945, Brown aceitou a proposta de McBride – dizendo que “estava triste por deixar a Ohio State, mas não podia recusar uma proposta como esta, pensando no seu futuro e no futuro de sua família”. Sua decisão revoltou os funcionários da Universidade (que esperavam seu retorno ao fim da Guerra). Mas como seu atual compromisso era com os Bluejackets, Paul continuou se preparando para a temporada de 1945 na base naval de Great Lakes...

Neste ano, seus melhores jogadores foram transferidos para bases militares na Costa Oeste (em especial para combater no Oceano Pacífico); e a equipe de Paul Brown começou mal a temporada: 04 derrotas e 01 empate nos primeiros 05 jogos... mas com a vitória dos EUA e o retorno dos principais atletas antes do final da temporada, os Bluejackets conseguiram seis vitórias consecutivas – incluindo a “vingança” contra Notre Dame (derrotando-os por 39 x 07)!


Em 1946, a equipe de Cleveland havia contratado muitos jogadores – incluindo Otto Graham (Quarterback da Universidade de Northwestern que derrotou os Buckeyes em 1941). A maioria dos atletas veio da Ohio State, Great Lakes e da Massillon (portanto já conheciam o estilo exigente do treinador)...

Parêntesis rápido: em Maio de 1945, McBride realizou uma pesquisa para escolher o nome de sua nova franquia – e os torcedores votaram por “Cleveland Panthers” (em homenagem a uma antiga equipe de futebol americano, fundada em 1919 e extinta em 1933). Mas Paul Brown vetou esta escolha, alegando que:

- A velha equipe dos Panthers faliu... e não quero carregar um legado de derrotas para uma nova equipe!

Em Agosto, McBride realizou uma nova votação – e desta vez o nome escolhido foi “Browns” (em homenagem ao seu treinador). Novamente Paul foi contrário – mas desta vez o proprietário da franquia “bateu o pé” e registrou o nome da equipe assim mesmo!


Um ano depois, em Setembro de 1946, os Browns jogaram sua primeira partida profissional em casa (no Cleveland Stadium), diante de uma platéia de 60.135 torcedores...

E a equipe não decepcionou: derrotou o Miami Seahawks por 44 x 00!

O time de Cleveland terminou a temporada regular com 12 vitórias e apenas 02 derrotas – conquistando o título da Divisão Oeste da AAFC. Na grande final, derrotou o New York Yankees (homônimo da equipe de baseball) e levou o primeiro título de sua história...

Em 1947 aconteceu o bi-campeonato...

Em 1948 veio o tri-campeonato...

E o tetra aconteceu em 1949!

Seu sucesso pode ser explicado por inúmeros fatores:

* O ataque aperfeiçoou a famosa “formação em T”, passando a adotar a formação “single-wing” (revolucionária para a época e muito mais efetiva);

* Seus colaboradores dedicavam-se em tempo integral à equipe (pois até então, o trabalho de coordenador ofensivo, defensivo, treinadores de Quarterbacks e preparadores físicos eram considerados como “bicos” – feitos por amadores e entusiastas do esporte);

* Paul Brown exigia que seus atletas assistissem a filmes sobre seus adversários e conhecessem bem suas jogadas e táticas, levando-os para salas de aula;

* O treinador também repassava inúmeras jogadas – tanto na teoria quanto na prática; de modo a que cada jogador conhecesse “de cor” o playbook da equipe;

* Ele proibia que seus atletas bebessem, fumassem e fizessem sexo após as noites de terça-feira durante a temporada – e criou o “Esquadrão Taxi”, usando os trabalhadores da companhia de McBride (entre outros torcedores comuns), como “fiscais” ou “olheiros” do comportamento de seus jogadores!


Mas nem sempre o “sucesso” de uma equipe se reflete no sucesso da liga esportiva – e também em virtude do domínio dos Browns, que desequilibrava a competitividade da AAFC, ano após ano, o interesse do público diminuía... até que a liga foi extinta ao final de 1949...

Com a dissolução da liga, apenas três equipes foram aceitas na NFL: Cleveland Browns, San Francisco 49ers e Baltimore Colts!

Logo na primeira partida dos Browns nesta nova competição, Cleveland enfrentou e venceu, fora de casa, o atual bi-campeão Philadelphia Eagles pelo placar de 35 x 10! Esta foi a primeira das 10 vitórias conquistadas por Paul Brown neste ano de 1950. E após derrotar o N.Y. Giants nos playoffs, também venceram o Los Angeles Rams com um Field Goal no último minuto de jogo!


Em 16 temporadas, Paul Brown conquistou 12 títulos! Ele foi o primeiro treinador a conquistar títulos no Futebol Universitário e na NFL – feito só igualado por Jimmy Johnson e Barry Switzer na década de 1990 (ambos treinadores do Dallas Cowboys)!

Os Browns voltariam às finais da NFL em 1952 e 1953, mas perderiam ambas para o Detroit Lions...

Antes da temporada de 1954, McBride vendeu o time para um grupo de investidores locais (liderados por David Jones). Paul Brown ficou chateado (pois não fora consultado sobre a venda), mas os novos proprietários garantiram que a gestão da equipe permaneceria nas mãos do treinador...


Outro grande problema: Graham anunciou que a temporada de 1953 tinha sido sua última, mas os Browns venceram o campeonato de 1954 e tiveram uma “revanche” contra os Lions! Este foi o “combustível” que motivou o Quarterback a voltar... e Cleveland terminou a temporada de 1955 com 09 vitórias, 02 derrotas e 01 empate – novamente chegando à final da NFL; onde derrotaram os Rams e conquistaram seu segundo título consecutivo! Só então Otto Graham realmente se aposentou...


Com a aposentadoria de Graham e sem nenhum Quarterback confiável, os Browns terminaram o ano de 1956 com 05 vitórias e 07 derrotas (primeira temporada de Paul Brown com mais derrotas do que vitórias desde sua chegada à Cleveland). Para tentar reverter esta tendência de queda no rendimento da equipe, no Draft de 1957, Paul escolheu o Running Back Jim Brown (vindo da Universidade de Syracuse)...


Jim era considerado “bonitão” e “carismático” (antecipando a tendência atual de “Tom Brady’s”, “Cristiano’s Ronaldo’s” e “David Beckham’s”), sendo o “queridinho da imprensa”, numa época em que a “recém-nascida” televisão ajudou a aumentar exponencialmente a popularidade do futebol americano (que pela primeira vez ultrapassou o baseball na preferência nacional norte-americana).

Mas é claro que o treinador Brown não gostou nada desta postura de “estrela midiática” – principalmente quando o corredor Brown evitava o contato direto com os oponentes...


Logo na primeira temporada de Jim, os Browns chegaram à final da NFL – mas novamente perderam para os Lions (por um sonoro 59 x 14)! Cleveland não conseguiu voltar à decisão nos próximos dois anos – período em que o Baltimore Colts dominou a liga e ergueu duas vezes o troféu...

Para não perder a “estrela” (que sofria constantes assédios das outras equipes), alguns dirigentes passaram a dar um “tratamento diferenciado” ao corredor – e com isso, outros jogadores do elenco também passaram a questionar a liderança de Paul Brown...


Em 1958, Cleveland enfrentou o New York Giants precisando de uma vitória (ou no mínimo um empate) para voltar à final da NFL e encarar os Colts... No 3º Quarto, os Browns estavam na linha de 16 jardas do campo de ataque, vencendo por 10 x 03, e bastava um Field Goal para deixar a vantagem em duas posses de bola! Mas o treinador Brown manteve seu QB em campo – o que alertou os Giants sobre um possível “fake kick”. E os Nova-Iorquinos conseguiram deter o passe – mantendo a diferença em uma posse de bola! Ao final, os Giants viraram o jogo (justamente por um FG); e os Browns foram eliminados...

Este jogo deflagrou uma crise sem precedentes em Cleveland!

Paul Brown culpou seu QB Milt Plum (também draftado em 1957), dizendo que “a equipe perdeu a confiança em seu comandante nos momentos decisivos do campeonato”, mas os jogadores culpavam o treinador – por seu estilo autoritário e descontrolado... Para piorar, Jim Brown foi contratado para um programa de rádio semanal (e claro que Paul não gostou desta “exposição midiática”, mas seus superiores expressamente anularam seu veto – minando ainda mais sua autoridade sobre o elenco).


Nas temporadas de 1959 e 1960, os Browns terminaram em segundo lugar em sua Divisão – embora Jim Brown continuasse quebrando recordes e liderando a liga nas estatísticas individuais (o que acirrou ainda mais os ânimos entre treinador e elenco)...

Mas a “gota d’água” foi a chegada de Art Modell...


O empresário nova-iorquino, de apenas 35 anos de idade, comprou a franquia dos Browns por US$ 4 milhões (incluindo os 15% das ações pertencentes ao Paul Brown); e ofereceu ao treinador um contrato de trabalho de oito anos...

Ao assumir a equipe, Art Modell pretendia desempenhar um “papel mais direto” do que o exercido pelos proprietários anteriores na “operação da equipe” – e é claro que Paul Brown ficou furioso (pois seu sistema de trabalho só funcionaria se mantivesse controle total e absoluto sobre os rumos esportivos).


Além disso, Modell era solteiro e apenas alguns anos mais velho do que os atletas – e por isso começou a ouvir as reclamações do elenco (em especial da estrela Jim Brown, que o chamava de “irmão mais velho”). Art, diferentemente dos outros proprietários, gostava de sentar no banco de reservas durante os jogos – e passou a “palpitar” sobre as jogadas da equipe (aumentando ainda mais a cisma com Paul Brown). E se a situação entre o novo Dono, Treinador, Quarterback e Running Back já estava complicada, piorou sensivelmente após a chegada de Ernie Davis...


Davis também foi Running Back na Universidade de Syracuse, e durante os anos de futebol universitário, quebrou todos os recordes estabelecidos por Jim Brown – tornando-se um talento promissor! Porém, antes da temporada de 1962, os médicos diagnosticaram que Ernie sofria de leucemia (grave doença capaz de encerrar precocemente sua carreira).

Ao saber disto, o treinador Brown negociou sua troca com Bobby Mitchell (corredor do Washington Redskins); sem sequer informar Art Modell! O proprietário do Cleveland, surpreso após a ligação de George Preston Marshall (proprietário da equipe da Capital Federal), tratou de desfazer o negócio...

Após o tratamento médico e a remissão do câncer, Art Modell pretendia dar a Davis a chance de jogar na sua equipe – mas Paul Brown não permitia ingerências no seu time! E nesta guerra de egos inflados, Ernie Davis nunca jogou uma partida profissional – vindo a falecer em 18 de maio de 1963...


Antes disso (mais precisamente em 07 de Janeiro de 1963), Art Modell demitiu Paul Eugene Brown da equipe que levava seu nome!


Seus números em Cleveland: 115 vitórias, 49 derrotas e 06 empates; com 07 títulos de Conferência e três títulos da NFL...

Após 30 anos de intenso trabalho como treinador, Paul Brown reservou-se ao direito de tirar longas “férias” – mantendo-se afastado do futebol... Tornou-se jogador de golfe (ao lado dos amigos Arnold Palmer e Jack Nicklaus) e viajou pelo mundo, acompanhado de sua família...

Mas conforme declarou à imprensa, já no final da vida:

- Eu tinha tudo que um homem pode desejar... Lazer, dinheiro suficiente para uma vida confortável e uma família maravilhosa! No entanto, algo estava corroendo meu coração e me matando a cada dia... Foi terrível...

Este vazio foi preenchido em 1965, quando Paul Brown recebeu um grupo de investidores interessados em criar numa nova franquia de futebol americano profissional. Mas como a NFL apresentava inúmeras restrições à criação de novas equipes, a alternativa seria investir numa liga paralela (como a American Football League) e apostar numa possível unificação futura; tal como vinha se estudando, principalmente a partir de 15 de Janeiro de 1967, quando o campeão da AFL (Kansas City Chiefs) enfrentou o campeão da NFL (Green Bay Packers), na disputa do primeiro Super Bowl...

Desta vez, Paul Brown não cometeria o mesmo erro cometido em Cleveland – e exigiu participação majoritária no projeto desta nova equipe (garantindo, assim, a necessária autonomia de trabalho que seu método único exigia). E graças ao seu imenso legado no esporte, não foi difícil conseguir a autorização e o incentivo do Governador de Ohio (James Rhodes) para a criação de uma segunda equipe de futebol profissional no Estado...

Só precisavam planejar ONDE nasceria esta nova equipe...


Eis que em 1966, temendo a perda da tradicional equipe de Baseball (Cincinnati Reds), a Prefeitura de Cincinnati aprovou a construção de uma nova arena esportiva (Riverfront Stadium); com capacidade para 60.000 pessoas!

Situada próxima à tríplice fronteira entre os Estados de Ohio, Kentucky e Indiana; Cincinnati mostrou-se a “escolha perfeita” para receber uma nova equipe de futebol americano – pois sua imensa população e relativa proximidade de outros grandes centros (como Columbus, Indianapolis, Louisville e Lexington), até então sem nenhuma equipe de futebol profissional nesta região (embora com larga tradição no esporte universitário), por si só, indicavam um potencial único de atratividade de investimentos. Ademais, a construção deste novo estádio garantiria o suporte estrutural necessário para uma nova franquia esportiva – sem que fosse necessário investir fortunas na construção de uma arena exclusiva!

Em 1967, Paul (desta vez acompanhado de seu filho Mike) lançou a “pedra fundamental” do projeto – anunciando a aquisição definitiva da franquia...



Nascia o CINCINNATI BENGALS!

Sobre a escolha do nome, existem diversas teorias...

A versão “oficial” relata uma “homenagem” ao antigo “Cincinnati Bengals” (fundado em 1937 e extinto em 1942) – mas particularmente não acredito nela; pois como vimos, o “metódico” Paul Brown recusou o nome de “Cleveland Panthers” (pois não queria “carregar o legado de uma equipe falida”), em circunstâncias idênticas...

Outra versão conhecida nos relata o “lobby” do Prefeito de Cincinnati para a divulgação do Zoológico local – um dos poucos nos EUA que contava com tigres-de-bengala! Mas também existe a possibilidade da escolha ser uma homenagem ao “Massillon Tigers” (primeira equipe do “atleta” e segundo time do “treinador” Paul Brown)...


Se, por um lado, a origem do nome é controversa, não restam dúvidas acerca da escolha das cores da equipe: laranja e preto!


O “laranja” é uma clara provocação ao Art Modell (pois também era a cor predominante no uniforme do Cleveland Browns) e o “preto” representa justamente este “luto” pela mágoa de Paul com sua ex-equipe... Mas estas cores também estão associadas à camuflagem natural dos tigres-de-bengala, numa feliz e “inesperada” coincidência, não é?

Qualquer que seja a verdade, sabemos que Paul Brown continuou trabalhando como “presidente/treinador” até a temporada de 1975 – permanecendo como “dono da franquia” até sua morte, ocorrida em 05 de Agosto de 1991...


Seu filho, Mike Brown, ainda comanda a equipe... Mas é claro que não detém nem 10% do conhecimento, brilhantismo e genialidade de seu pai – um verdadeiro “monstro” na história da NFL!

Obrigado, mestre!

E que teu legado em Cincinnati seja perpétuo!

Afinal de contas... WHO DEY???